sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Wish you were here II



Antes: "Eu estava receosa, mas nem importava muito, porque, na verdade, eu estava voltando lá por ele."
O carro parou na frente de uma casa. Eu conhecia bem aquela casa, bem mais do que eu queria. Fechei os olhos, na tentativa tola de segurar lágrimas que escorreram instantaneamente por minha face rosada. Eu queria pegar a direção e seguir de volta para o meu lar. E pensar que ha uns anos atrás, eu achava que aquele era meu lar. Não, nunca fora. 
Abri a porta. Foi um súbito impulso, mas agora eu já estava lá, e não podia mudar. Eu fiz uma escolha, não fiz? Se eu pudesse, eu voltava atrás, mas não, eu não podia. Então, eu deveria seguir em frente, certo?
Saí do carro. 
Não conseguia me sustentar em minhas pernas, eu tremia como um cão carente depois de um temporal, e era assim que eu me sentia: abandonada. Abandonada por ele, na verdade. E um pouco abandonada por mim mesma, vazia. 
"Você não pode mais voltar atrás", meu cérebro me dizia. "Vamos lá, não deve ser tão difícil!", mas era. Era difícil, depois de anos, voltar pra lá, voltar para todo aquele "lá" que eu tinha querido por tanto tempo abandonar, esquecer. 
"Como se fosse mesmo possível esquecer", ria-se meu coração. "Ninguém esquece alguém que realmente ama", e mesmo que eu relutasse e dissesse que não o amava, meu coração tinha razão, eu o amava. E eu sentia falta dele
E ele estava lá, parado, me olhando. Lágrimas escorriam de seus olhos, assim como escorriam dos meus. Eu não sabia ao certo o que fazer; tratar como frieza, como eu o trataria em sã consciência, ou correr e abraçá-lo, que era o que eu queria fazer no momento. E a confusão, a emoção e todos os outros sentimentos que aquele momento me trazia foram capazes de me deixar paralisada, esperando ele dar o primeiro passo.
E ele o deu. Aos poucos, com passos lentos, foi se aproximando. "Ah meu Deus, o que eu faço?", eu gritava, implorando à meu cérebro por respostas urgentes. Mas ele parecia tão paralisado quanto eu, que a única coisa que se mexia era meu coração, numa velocidade que poderia muito bem competir com um carro de corrida. 
Quando chegou na minha frente, meu coração batia como música de balada, e parecia querer saltar pela minha boca e sair correndo. Ele me puxou para um abraço e apertou-me com força contra seu peito, apoiando seu queixo no topo de minha cabeça. Ficamos ali por um tempo, em silêncio. Minhas lágrimas molhavam sua camiseta, suas lágrimas escorriam até alcançar meu couro cabeludo. 

Nossa, o conto tá grande demais por hoje. E vocês ficam sabendo quem é ele na continuação, ok? Hihi.

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